Cimentação adesiva de lentes:

Visão clínica do Protocolo Borille

A cimentação é a etapa em que o planejamento protético-estético encontra a realidade biológica do paciente.
Mais do que “colar lentes”, trata-se de controlar variáveis: adaptação marginal, substrato, cerâmica, cimento, umidade, cor e oclusão.

Neste texto compartilho a lógica clínica que utilizo na cimentação de lentes de porcelana, baseada em experiência de consultório e no ensino do Protocolo Borille para colegas.

Contexto do protocolo

Foco em odontologia estética e reabilitadora, não em casos isolados desconectados do sistema mastigatório
  • Integração entre planejamento analógico e digital quando indicado, mas sempre com o mock-up como eixo de decisão

  • Preparo controlado, preservando ao máximo esmalte, para garantir adesão previsível

A cimentação é pensada desde o planejamento inicial. Não é um “finalzinho do caso”, é parte da estratégia.

Princípios gerais da cimentação no Protocolo Borille

Previsibilidade adesiva acima de atalhos
  • Controle de umidade e isolamento compatíveis com realidade clínica

  • Substrato preparado e respeitado

  • Cerâmica devidamente condicionada, silanizada e limpa

  • Sequência mental fixa, com pequenas variações conforme o caso

  • Checagem sistemática de oclusão e contatos ao final

Sequência clínica resumida (visão macro)

Sem transformar isso em apostila com todas as marcas e tempos (isso fica para o curso), o raciocínio global da cimentação é:

  • Prova inicial das lentes e ajustes prévios

  • Seleção da cor e do cimento

  • Tratamento da superfície interna da cerâmica

  • Preparação do substrato dentário

  • Isolamento e controle de campo

  • Inserção e acomodação das lentes

  • Remoção de excessos e fotopolimerização controlada

  • Acabamento, polimento e ajuste oclusal

A seguir, abro o raciocínio de cada etapa.

Sequência clínica resumida (visão macro)

Previsibilidade adesiva acima de atalhos
  • Controle de umidade e isolamento compatíveis com realidade clínica

  • Substrato preparado e respeitado

  • Cerâmica devidamente condicionada, silanizada e limpa

  • Sequência mental fixa, com pequenas variações conforme o caso

  • Checagem sistemática de oclusão e contatos ao final

1. Prova inicial e ajustes prévios

Conferência de adaptação marginal e passividade
  • Ajuste de contatos proximais ainda antes da cimentação definitiva

  • Avaliação estética estática e dinâmica com o paciente sentado, falando, sorrindo

  • Registro fotográfico para comparação com mock-up e planejamento

Erros nesta fase cobram caro depois. Lente que não assenta bem na prova não “melhora” com cimento.

2. Seleção da cor e do cimento

  • Teste com pastas try-in quando necessário

  • Decisão levando em conta:

  • cor do substrato

  • espessura da cerâmica

  • expectativa do paciente

  • Preferência por manter naturalidade, evitando opacidades exageradas e cores irreais

O cimento é parte ativa do resultado final, não coadjuvante.

3. Tratamento da superfície interna da cerâmica

Lógica básica:

  • Limpeza da superfície interna após prova intraoral

  • Condicionamento adequado conforme tipo de cerâmica

  • Lavagem, secagem controlada

  • Aplicação de silano na sequência correta

  • Uso ou não de agente de união, conforme sistema

O objetivo é garantir uma interface cerâmica-cimento estável e quimicamente favorável, reduzindo risco de descimentação e infiltração.

4. Preparação do substrato dentário

  • Profilaxia com pasta sem óleo ou jato apropriado

  • Isolamento relativo ou absoluto, conforme caso e extensão

  • Condicionamento de esmalte e dentina dentro de um sistema adesivo coerente

  • Aplicação de adesivo respeitando:

  • controle de umidade

  • tempo de ação

  • fotopolimerização parcial ou não, conforme estratégia

Aqui não existe receita única. O importante é ter sistema definido e segui-lo com disciplina.

5. Isolamento e controle de campo

O protocolo busca um equilíbrio entre:

  • Ideais do livro

  • Realidade da boca do paciente, reflexo, salivação, extensão dos elementos

Mais importante do que o “nome da técnica” é o resultado prático: campo limpo, seco o suficiente, visibilidade adequada e condições de trabalhar com calma.

6. Inserção das lentes e acomodação

  • Inserção do cimento na lente em quantidade controlada

  • Posicionamento progressivo, dente a dente ou em blocos, conforme estratégia do caso

  • Pressão digital ou com instrumentos adequados

  • Remoção inicial de excessos com pincel, explorador e fio dental antes da fotopolimerização completa

  • Fotopolimerização estratégica (pré-cura leve para estabilização, seguida de cura completa)

Aqui a meta é evitar:

  • Linha branca cervical

  • Excessos proximais que irritam gengiva

  • Bolhas internas

  • Desalinhamento marginal

7. Acabamento, polimento e oclusão

  • Refinamento de bordas com brocas finas e discos

  • Polimento final com borrachas e pastas compatíveis com cerâmica

  • Checagem de:

  • contatos em MIH

  • guias anteriores e caninas

  • movimentos excursivos

Lente bonita com guia anterior mal conduzida é convite para fraturas, microtrincas e insatisfação tardia.

Cimentação em múltiplas lentes: detalhes estratégicos

Em casos de múltiplas lentes, o protocolo considera:

  • Ordem de cimentação

  • Forma de estabilizar referência de linha média e plano incisal

  • Manejo de pequenas discrepâncias que aparecem somente na cimentação

  • Comunicação prévia com o laboratório para permitir pequenos ajustes sem comprometer estrutura

A ideia é manter controle do caso, não ser refém do acaso.

Falhas, retratamentos e decisões difíceis

Na prática clínica, é preciso lidar com:

  • Lente que descimenta

  • Linha fina de infiltração

  • Quebra localizada por trauma

  • Diferença de cor perceptível ao longo dos anos

O protocolo contempla:

  • Critérios para tentar recimentar

  • Quando a melhor decisão é substituir

  • Manejo da expectativa do paciente

  • Registro fotográfico e documentação para replanejamento

Formação de colegas e aprofundamento no Protocolo Borille

O conteúdo desta página é apenas uma visão geral, pensada para compartilhar raciocínio com colegas, sem esgotar detalhes de tempo, materiais e variações de técnica.

Para quem busca aprofundar:

  • Domínio integrado de analógico e digital

  • Planejamento completo de casos estéticos com lente

  • Fluxo de preparo, provisório, laboratório e cimentação

aí entra o Protocolo Borille em formato de curso, discussão de casos e acompanhamento próximo.