Preparo para lentes de contato dental:

Sequência clínica

O preparo para lentes de contato dental neste protocolo parte de três premissas:
  1. Sempre preparar quando há necessidade de controle de perfil de emergência, alinhamento e volume.

  2. Preservar esmalte sempre que possível, com consciência milimétrica do desgaste.

  3. Trabalhar guiado pelo mock-up e por guias, não pela broca “solta” no dente.

Preparar ou não preparar?

Sempre preparar, dentro da filosofia de mínima invasão, porque:
  • independentemente do material, o perfil de emergência deve ficar abaixo de cerca de 35 graus para que a transição dente-cerâmica seja estável, limpa e visualmente correta

  • um pequeno desgaste cervical melhora o perfil de emergência e traz a restauração para dentro do envelope funcional e gengival

  • canaletas cervicais são obrigatórias para controle de espessura e posição

  • dentes palatinizados estão “errados” para lente, e o primeiro passo é ortodontia, não compensação com cerâmica

O que preservar

A filosofia de preservação envolve:
  • consciência do desgaste em cada terço: cervical, médio e incisal

  • respeito às espessuras mínimas de cerâmica, mas sem “abrir espaço demais”

  • uso de guias sobre o mock-up 

Sequência clínica em 6 passos principais

A aula está organizada no seguinte roteiro:

  • Canaletas vestibulares

  • União das canaletas

  • Canaletas interproximais

  • Redução incisal

  • Remoção da área de brilho

  • Preparo cervical

  • Checagem de desgaste e acabamento

  • Preparo subgengival quando indicado

A seguir, o detalhamento clínico.

1. Canaletas vestibulares sobre o mock-up

Realizadas com broca anelada sobre o mock-up, não sobre o dente direto.

  • Três eixos de orientação, seguindo a anatomia do elemento.

  • Sequência de brocas:4141 para 0,3 mm4142 para 0,5 mm

  • Nesta fase, não há preocupação com região interproximal e cervical.

  • Uso de lapiseira para marcar o limite do desgaste ao remover o mock-up.

2. União das canaletas

  • Remoção da resina entre as canaletas até apagar completamente o grafite.

  • Remoção do restante do mock-up na superfície vestibular.

  • Observação atenta de onde se tocou em dente para não extrapolar os limites planejados.

3. Canaletas interproximais

  • Utilizar brocas 2136F e 2135F.

  • Apoio da ponta entre os dois dentes, com controle tátil.

  • Criar desgaste de no mínimo 0,3 mm abaixo do nível da papila, garantindo espaço para cerâmica sem esmagar o tecido.

4. Redução incisal

  • Utilizar discos tipo Sof-Lex e pontas adequadas.

  • Redução controlada, sem envolver a borda incisal como nas facetas convencionais, respeitando a filosofia de lente.

5. Remoção da área de brilho

  • Trabalhar a área de reflexão próxima à proximal.

  • Broca inclinada a 45 graus, criando um triângulo que forma uma nova face.

  • Uso de canetas interproximais para esconder o término até a metade da papila.

  • Manter ponto de contato.

  • Unir a canaleta com a remoção da área de brilho.

  • Suavizar o contorno da peça, fazendo com que o dente pareça mais estreito e natural, sem excesso de volume vestibular.

5. Remoção da área de brilho

  • Trabalhar a área de reflexão próxima à proximal.

  • Broca inclinada a 45 graus, criando um triângulo que forma uma nova face.

  • Uso de canetas interproximais para esconder o término até a metade da papila.

  • Manter ponto de contato.

  • Unir a canaleta com a remoção da área de brilho.

  • Suavizar o contorno da peça, fazendo com que o dente pareça mais estreito e natural, sem excesso de volume vestibular.

6. Preparo cervical

  • Definição do término cervical com “apneia” para precisão visual.

  • Utilizar alta rotação ou contra ângulo 1:5 com refrigeração a ar.

  • Ponta 2133F.

  • Término em nível gengival, respeitando biotipo e arquitetura.

Checagem do desgaste com guias

  • Utilizar guias provenientes do mock-up ou de silicone para medir efetivamente o desgaste realizado.

  • Comparar profundidade planejada com profundidade alcançada, evitando tanto subpreparo (que engorda a peça) quanto superpreparo (que sacrifica esmalte).

Acabamento e polimento

  • Arredondar e suavizar todos os ângulos de término.

  • Utilizar borrachas de diferentes granulações para acabamento do preparo.

  • A pergunta “precisa?” é respondida lembrando que acabamento adequado melhora adaptação da lente, facilidade de cimentação e comportamento gengival.

Preparo subgengival: quando e por quê

  • A aula destaca três cenários para extensão subgengival:

  • DiastemaPermite ganho de área para fechar espaços sem criar efeito “pá de dente”. 

  • Dente escurecidoPermite maior controle do mascaramento de substrato escuro, escondendo transição entre dente e cerâmica. preparo-1

  • Black space presente e linha média inclinadaAjuste de ponto de contato e extensão para fechar triângulos negros e melhorar proporção dentária. 

  • Em todos, a filosofia continua sendo de mínima invasão com máximo controle de forma, função e estética.