Passo a passo do clareamento interno (walking bleach)
Avaliação clínica e radiográfica
O primeiro passo é avaliar o dente escurecido com exame clínico detalhado e radiografia periapical:
– Verificamos a qualidade do tratamento de canal.
– Identificamos presença de lesão apical, sobreobturações, degraus ou outros problemas.
– Avaliamos se há fraturas, trincas e extensão do escurecimento.
Quando necessário, discutimos retratamento do canal antes do clareamento interno, para evitar “maquiar” um problema biológico.
Abertura da câmara coronária e limpeza
O dente é anestesiado (se indicado) e a restauração coronária é aberta até expor a câmara:
– Removemos restos de material obturador além da junção amelocementária.
– Eliminamos pigmentos residuais e restos de tecido na câmara coronária.
– Polimos as paredes internas para reduzir acúmulo de manchas.
Confecção da barreira cervical
Antes de aplicar o agente clareador, é feita uma barreira cervical de proteção, geralmente com cimento ionômero de vidro ou material semelhante, alguns milímetros acima da gutta-percha, selando o canal na região cervical:
– Essa barreira reduz o risco de difusão do agente clareador para o ligamento periodontal.
– É uma das medidas mais importantes para minimizar o risco de reabsorção cervical externa.
Colocação do agente clareador na câmara coronária
Sobre a barreira cervical, colocamos o material clareador específico para uso interno (diferentes formulações podem ser utilizadas conforme protocolo atualizado e regulamentação vigente):
– Preenchemos a câmara coronária, acomodando o agente contra a face vestibular.
– Não avançamos o material para além da área planejada.
Selamento temporário do dente
O dente é fechado temporariamente com material restaurador provisório em espessura adequada, garantindo:
– Selamento do agente clareador dentro da câmara.
– Proteção contra infiltração de saliva e micro-organismos.
Intervalo de ação e reavaliação
O paciente retorna em intervalos de alguns dias para:
– Avaliar a mudança de cor.
– Decidir se é necessária troca ou reposição do agente clareador.
– Monitorar integridade do selamento e ausência de sintomatologia.
Estudos e revisões sugerem que o agente costuma ser trocado em intervalos entre 3 e 7 dias, com número de ciclos variando conforme intensidade do escurecimento e resposta individual.
Finalização e restauração definitiva
Quando a cor está satisfatória e dentro de um limite seguro:
– Removemos completamente o agente clareador.
– Lavamos, secamos e, em muitos protocolos, aguardamos um intervalo antes da restauração definitiva (para reduzir interferência do oxigênio residual na adesão).
– Realizamos a restauração final com resinas compostas, facetas ou coroas, conforme indicação.
Em alguns casos, o clareamento interno é etapa intermediária de um plano que depois inclui:
– Faceta de porcelana
– Lente de contato dental de porcelan