Extração de siso em Porto Alegre

Alveolite depois da extração de siso

Dor que aumenta no terceiro dia depois de tirar o siso pode ser alveolite. Veja como reconhecer, o que fazer e por que o tratamento é simples.

Revisão técnicaDr. Marcelo Barboza Borille, CRO-RS 14520
Última revisãosetembro de 2026
Leitura9 minutos

A dor que começa no terceiro dia, o que fazer e por que ela não passa sozinha

A alveolite é a complicação mais frequente depois de extrações dentárias, principalmente de siso inferior. Ocorre quando o coágulo que protege o alvéolo se desfaz ou se desloca, deixando o osso exposto na cavidade. Manifesta-se como dor intensa que começa ou piora entre o segundo e o quarto dia, quando a recuperação já deveria estar melhorando, com frequência irradiando para o ouvido ou para a têmpora. O tratamento é feito em consultório e o alívio costuma ser rápido.


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Como diferenciar da dor esperada

Toda extração dói um pouco. A diferença está na direção que a dor toma ao longo dos dias.

  Dor esperada Alveolite
Quando aparece logo após a cirurgia começa ou piora entre o segundo e o quarto dia
Ao longo dos dias diminui progressivamente aumenta
Intensidade controlada pela medicação prescrita intensa, cede pouco com a medicação
Irradiação localizada frequentemente para ouvido, têmpora ou pescoço
Gosto e hálito normais mau gosto e mau hálito persistentes
Aspecto do alvéolo coágulo escuro presente cavidade com aspecto vazio, esbranquiçada ou acinzentada

A regra prática que resume tudo: dor que melhora é recuperação, dor que piora depois do segundo dia precisa ser avaliada.


Por que acontece

Depois da extração, o alvéolo é preenchido por um coágulo. Ele protege o osso, contém as terminações nervosas expostas e serve de base para a cicatrização.

Na alveolite, esse coágulo se desintegra ou se desloca antes de cumprir essa função. O osso fica exposto ao ambiente da boca, à saliva, à temperatura e ao alimento. É essa exposição que produz a dor, que costuma ser desproporcional ao tamanho da ferida.

Vale dizer com clareza porque muda a conduta: alveolite não é, na maioria dos casos, uma infecção do alvéolo. É a perda da proteção, com inflamação local associada. Por isso o tratamento não é, como regra, antibiótico.


O que aumenta o risco

  • Cigarro. É o fator de risco mais consistente. Combina calor, componentes químicos, redução da oxigenação dos tecidos e o movimento de sucção da tragada.
  • Sucção e pressão negativa na boca nas primeiras 24 horas: canudo, bochecho vigoroso, cuspir com força, assoar o nariz com força.
  • Complexidade da extração. Sisos inferiores inclusos e cirurgias mais trabalhosas têm risco maior que extrações simples.
  • Infecção ou inflamação prévia na região, como um quadro de pericoronarite não controlado antes da cirurgia.
  • Higiene deficiente no período, incluindo o hábito de evitar escovar a região por medo.
  • Episódio anterior de alveolite, que aumenta a chance de repetição em novas extrações.
  • Contraceptivo hormonal, associado na literatura a maior frequência do quadro em algumas séries, o que costuma pesar mais no planejamento do que na conduta.

A soma desses fatores explica por que a alveolite é tão mais comum em siso inferior incluso do que em qualquer outra extração.


O que fazer

Ligue para a clínica. É simples assim, e é a orientação mais útil desta página.

O que não funciona:

  • esperar passar. Não passa em prazo razoável sozinha, e o intervalo até o atendimento é tempo de dor sem necessidade;
  • aumentar a dose do analgésico por conta própria. A dor da alveolite responde pouco à medicação oral, e é justamente essa característica que ajuda a identificá-la;
  • começar antibiótico de sobra de outra receita. Não é o tratamento e não resolve o quadro;
  • cutucar, irrigar com força ou tentar limpar o alvéolo em casa.

Até o atendimento, mantenha a alimentação macia, a hidratação e a higiene dos demais dentes, e evite cigarro e sucção.


Como é o tratamento

É um procedimento simples de consultório, e a diferença que ele faz é grande.

  1. Confirmação do diagnóstico, com exame da região e, quando necessário, radiografia para descartar outras causas de dor tardia.
  2. Irrigação do alvéolo com solução apropriada, removendo resíduo e detrito.
  3. Colocação de curativo com medicação de efeito local dentro da cavidade, que cobre o osso exposto e alivia a dor.
  4. Ajuste da analgesia, conforme o caso.
  5. Retorno para troca do curativo, quando indicado. Alguns casos exigem mais de uma sessão.

O alívio costuma começar em pouco tempo depois do curativo. A cicatrização segue seu curso, um pouco mais lenta que a de um alvéolo sem intercorrência, e o quadro se resolve sem deixar sequela.

Antibiótico não faz parte do tratamento padrão. Ele é considerado quando há sinal de infecção associada, o que é outra situação e é identificado no exame.


Nem toda dor tardia é alveolite

Vale saber, porque muda o que o dentista procura.

  • Infecção pós-operatória, que costuma vir com pus, febre, inchaço crescente e gânglio doloroso.
  • Fragmento remanescente de osso ou de dente na região.
  • Comunicação com o seio maxilar, possível em extrações de sisos superiores com raízes próximas ao seio, com sintomas próprios.
  • Dor de origem no dente vizinho, que estava com problema antes da cirurgia e ficou evidente depois dela.
  • Alteração de sensibilidade por proximidade com o nervo, que se manifesta como dormência e não como dor.

Diferenciar essas situações é exame clínico, e às vezes radiografia. É o motivo pelo qual dor tardia não deve ser autodiagnosticada pela internet, inclusive por esta página.


Como reduzir o risco

O que efetivamente muda a estatística de quem opera:

  • não fumar no período orientado, que é a medida isolada de maior impacto;
  • nada de canudo, bochecho forte ou cuspir com força nas primeiras 24 horas;
  • seguir a orientação alimentar dos primeiros dias, descrita em o que comer depois de tirar o siso;
  • manter a higiene dos outros dentes desde o primeiro dia e da região operada conforme orientado, em vez de evitar escovar por medo;
  • tratar inflamação prévia antes da cirurgia, quando existe;
  • avisar sobre episódio anterior de alveolite, o que permite conduta preventiva no planejamento.

O protocolo completo dos primeiros dias está em pós-operatório.


Quando entrar em contato sem esperar

Ligue para a clínica se, depois de uma extração, aparecer:

  • dor que aumenta a partir do segundo ou terceiro dia, em vez de diminuir;
  • dor que não cede com a medicação prescrita;
  • mau gosto ou mau hálito persistentes;
  • sangramento que não para com compressão de gaze;
  • febre, pus ou inchaço que cresce;
  • dormência no lábio, no queixo ou na língua além do período previsto da anestesia.

Nenhum desses itens é motivo de pânico, e todos são motivo de telefonema. O acompanhamento faz parte do tratamento de cirurgia bucal da clínica, e complicação atendida cedo costuma ser complicação pequena.

Telefone e WhatsApp: (51) 3346-3277 · segunda a sexta, das 9h às 19h


Perguntas frequentes

Alveolite é infecção?

Na maioria dos casos, não. É a perda do coágulo que protegia o alvéolo, com exposição do osso e inflamação local, e não uma infecção instalada na cavidade. Essa distinção importa porque explica o tratamento: curativo local com medicação, e não antibiótico como regra. Quando há infecção associada, ela vem com outros sinais, como pus, febre e inchaço crescente, e é identificada no exame.

Quanto tempo dura a alveolite?

Sem tratamento, o quadro tende a se arrastar por vários dias com dor significativa. Com o atendimento, o alívio costuma começar pouco depois da colocação do curativo, e alguns casos exigem mais de uma troca até a resolução. A cicatrização do alvéolo continua depois disso, um pouco mais lenta que a habitual, e o quadro se resolve sem deixar sequela.

Alveolite passa sozinha?

Em algum momento o organismo resolve, mas o prazo é longo e o percurso é doloroso sem necessidade. Como o tratamento é simples, rápido e traz alívio consistente, esperar não tem vantagem nenhuma. Dor que aumenta a partir do segundo ou terceiro dia depois de uma extração é motivo para telefonar no mesmo dia.

Antibiótico resolve a alveolite?

Não como regra, porque o quadro não é, em geral, uma infecção. O tratamento é local: irrigação do alvéolo e curativo com medicação. Antibiótico entra quando o exame identifica infecção associada, o que é situação distinta. Iniciar antibiótico por conta própria atrasa o atendimento correto e não alivia a dor característica do quadro.

Como sei se o coágulo caiu?

O sinal mais confiável não é visual, é a dor: ela aumenta a partir do segundo ao quarto dia em vez de diminuir, com frequência irradiando para o ouvido, e cede pouco com a medicação. Ao olhar, o alvéolo pode parecer vazio, esbranquiçado ou acinzentado, sem o coágulo escuro. Mau gosto e mau hálito persistentes acompanham o quadro. Na dúvida, a avaliação resolve em minutos.

Fumar realmente causa alveolite?

O cigarro é o fator de risco mais consistente para o quadro, por vários mecanismos somados: o calor, os componentes químicos, a redução da oxigenação dos tecidos e o movimento de sucção da tragada, que é o mesmo do canudo. Não fumar no período orientado é a medida isolada com maior impacto sobre a recuperação de uma extração de siso.

Quem teve alveolite uma vez vai ter de novo?

Não necessariamente, mas o histórico aumenta a chance em novas extrações e é uma informação que muda o planejamento. Avise antes da cirurgia se já passou por isso: existem condutas preventivas que podem ser adotadas no momento do procedimento e nas orientações pós-operatórias, e o acompanhamento nos primeiros dias passa a ser mais próximo.


As informações desta página têm caráter educativo e não substituem consulta presencial, diagnóstico individualizado ou prescrição. Dor que aumenta depois de uma extração deve ser avaliada pelo profissional que realizou o procedimento.

Conteúdo revisado por Dr. Marcelo Barboza Borille, CRO-RS 14520, responsável técnico da Sorridere (CRO-RS EPAO 2231). Última revisão: setembro de 2026.


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