
A dor que começa no terceiro dia, o que fazer e por que ela não passa sozinha
A alveolite é a complicação mais frequente depois de extrações dentárias, principalmente de siso inferior. Ocorre quando o coágulo que protege o alvéolo se desfaz ou se desloca, deixando o osso exposto na cavidade. Manifesta-se como dor intensa que começa ou piora entre o segundo e o quarto dia, quando a recuperação já deveria estar melhorando, com frequência irradiando para o ouvido ou para a têmpora. O tratamento é feito em consultório e o alívio costuma ser rápido.
(51) 3346-3277 · Rua 24 de Outubro, 1440, Auxiliadora
Esta página trata de uma possível complicação. Para conhecer a indicação e as etapas do procedimento, veja extração de siso; para os cuidados gerais, consulte o pós-operatório do siso.
Como diferenciar da dor esperada
Toda extração dói um pouco. A diferença está na direção que a dor toma ao longo dos dias.
| Dor esperada | Alveolite | |
|---|---|---|
| Quando aparece | logo após a cirurgia | começa ou piora entre o segundo e o quarto dia |
| Ao longo dos dias | diminui progressivamente | aumenta |
| Intensidade | controlada pela medicação prescrita | intensa, cede pouco com a medicação |
| Irradiação | localizada | frequentemente para ouvido, têmpora ou pescoço |
| Gosto e hálito | normais | mau gosto e mau hálito persistentes |
| Aspecto do alvéolo | coágulo escuro presente | cavidade com aspecto vazio, esbranquiçada ou acinzentada |
Observe a evolução: dor que aumenta ou permanece intensa apesar da medicação prescrita precisa ser avaliada. Isso vale mesmo antes do terceiro dia. A aparência do alvéolo, sozinha, não confirma nem exclui uma complicação.
Por que acontece
Depois da extração, o alvéolo é preenchido por um coágulo. Ele protege o osso, contém as terminações nervosas expostas e serve de base para a cicatrização.
Na alveolite, esse coágulo se desintegra ou se desloca antes de cumprir essa função. O osso fica exposto ao ambiente da boca, à saliva, à temperatura e ao alimento. É essa exposição que produz a dor, que costuma ser desproporcional ao tamanho da ferida.
Vale dizer com clareza porque muda a conduta: alveolite não é, na maioria dos casos, uma infecção do alvéolo. É a perda da proteção, com inflamação local associada. Por isso o tratamento não é, como regra, antibiótico.
O que aumenta o risco
- Cigarro. É o fator de risco mais consistente. Combina calor, componentes químicos, redução da oxigenação dos tecidos e o movimento de sucção da tragada.
- Sucção e pressão negativa na boca nas primeiras 24 horas: canudo, bochecho vigoroso, cuspir com força, assoar o nariz com força.
- Complexidade da extração. Sisos inferiores inclusos e cirurgias mais trabalhosas têm risco maior que extrações simples.
- Infecção ou inflamação prévia na região, como um quadro de pericoronarite não controlado antes da cirurgia.
- Higiene deficiente no período, incluindo o hábito de evitar escovar a região por medo.
- Episódio anterior de alveolite, que aumenta a chance de repetição em novas extrações.
- Contraceptivo hormonal, associado na literatura a maior frequência do quadro em algumas séries, o que costuma pesar mais no planejamento do que na conduta.
A soma desses fatores explica por que a alveolite é tão mais comum em siso inferior incluso do que em qualquer outra extração.
O que fazer
Ligue para a clínica. É simples assim, e é a orientação mais útil desta página.
O que não funciona:
- esperar passar. Não passa em prazo razoável sozinha, e o intervalo até o atendimento é tempo de dor sem necessidade;
- aumentar a dose do analgésico por conta própria. A dor da alveolite responde pouco à medicação oral, e é justamente essa característica que ajuda a identificá-la;
- começar antibiótico de sobra de outra receita. Não é o tratamento e não resolve o quadro;
- cutucar, irrigar com força ou tentar limpar o alvéolo em casa.
Até o atendimento, mantenha a alimentação macia, a hidratação e a higiene dos demais dentes, e evite cigarro e sucção.
O que informar ao entrar em contato
Diga em que dia a extração foi feita, quando a dor começou ou piorou e se há febre, inchaço, sangramento ou alteração de sensibilidade. Informe também os medicamentos prescritos que está usando. Esses dados ajudam a equipe a orientar a prioridade do atendimento, mas não substituem o exame.
Como é o tratamento
É um procedimento simples de consultório, e a diferença que ele faz é grande.
- Confirmação do diagnóstico, com exame da região e, quando necessário, radiografia para descartar outras causas de dor tardia.
- Irrigação do alvéolo com solução apropriada, removendo resíduo e detrito.
- Colocação de curativo com medicação de efeito local dentro da cavidade, que cobre o osso exposto e alivia a dor.
- Ajuste da analgesia, conforme o caso.
- Retorno para troca do curativo, quando indicado. Alguns casos exigem mais de uma sessão.
O alívio costuma começar em pouco tempo depois do curativo. A cicatrização segue seu curso, um pouco mais lenta que a de um alvéolo sem intercorrência, e a evolução deve ser acompanhada até a resolução.
Antibiótico não faz parte do tratamento padrão. Ele é considerado quando há sinal de infecção associada, o que é outra situação e é identificado no exame.
Nem toda dor tardia é alveolite
Vale saber, porque muda o que o dentista procura.
- Infecção pós-operatória, que costuma vir com pus, febre, inchaço crescente e gânglio doloroso.
- Fragmento remanescente de osso ou de dente na região.
- Comunicação com o seio maxilar, possível em extrações de sisos superiores com raízes próximas ao seio, com sintomas próprios.
- Dor de origem no dente vizinho, que estava com problema antes da cirurgia e ficou evidente depois dela.
- Alteração de sensibilidade relacionada ao nervo, que pode causar dormência, formigamento, queimação ou dor e também precisa de avaliação.
Diferenciar essas situações é exame clínico, e às vezes radiografia. É o motivo pelo qual dor tardia não deve ser autodiagnosticada pela internet, inclusive por esta página.
O cuidado local e o uso criterioso de antibióticos são abordados na orientação clínica do SDCEP sobre alveolite.
Como reduzir o risco
O que efetivamente muda a estatística de quem opera:
- não fumar no período orientado, que é a medida isolada de maior impacto;
- nada de canudo, bochecho forte ou cuspir com força nas primeiras 24 horas;
- seguir a orientação alimentar dos primeiros dias, descrita em o que comer depois de tirar o siso;
- manter a higiene dos outros dentes desde o primeiro dia e da região operada conforme orientado, em vez de evitar escovar por medo;
- tratar inflamação prévia antes da cirurgia, quando existe;
- avisar sobre episódio anterior de alveolite, o que permite conduta preventiva no planejamento.
O protocolo completo dos primeiros dias está em pós-operatório.
Quando entrar em contato sem esperar
Ligue para a clínica se, depois de uma extração, aparecer:
- dor que aumenta a partir do segundo ou terceiro dia, em vez de diminuir;
- dor que não cede com a medicação prescrita;
- mau gosto ou mau hálito persistentes;
- sangramento que não para com compressão de gaze;
- febre, pus ou inchaço que cresce;
- dormência no lábio, no queixo ou na língua além do período previsto da anestesia.
Entre em contato para avaliação. Se houver dificuldade para respirar, dificuldade importante para engolir ou inchaço rápido no pescoço, procure atendimento de emergência imediatamente, sem aguardar resposta da clínica. O acompanhamento faz parte do tratamento de cirurgia bucal.
Telefone e WhatsApp: (51) 3346-3277 · segunda a sexta, das 9h às 19h
Perguntas frequentes
Alveolite é infecção?
Na maioria dos casos, não. É a perda do coágulo que protegia o alvéolo, com exposição do osso e inflamação local, e não uma infecção instalada na cavidade. Essa distinção importa porque explica o tratamento: curativo local com medicação, e não antibiótico como regra. Quando há infecção associada, ela vem com outros sinais, como pus, febre e inchaço crescente, e é identificada no exame.
Quanto tempo dura a alveolite?
Sem tratamento, o quadro tende a se arrastar por vários dias com dor significativa. Com o atendimento, o alívio costuma começar pouco depois da colocação do curativo, e alguns casos exigem mais de uma troca até a resolução. A cicatrização do alvéolo continua depois disso, um pouco mais lenta que a habitual, e a evolução deve ser acompanhada até a resolução.
Alveolite passa sozinha?
Em algum momento o organismo resolve, mas o prazo é longo e o percurso é doloroso sem necessidade. Como o tratamento é simples, rápido e traz alívio consistente, esperar não tem vantagem nenhuma. Dor que aumenta a partir do segundo ou terceiro dia depois de uma extração é motivo para telefonar no mesmo dia.
Antibiótico resolve a alveolite?
Não como regra, porque o quadro não é, em geral, uma infecção. O tratamento é local: irrigação do alvéolo e curativo com medicação. Antibiótico entra quando o exame identifica infecção associada, o que é situação distinta. Iniciar antibiótico por conta própria atrasa o atendimento correto e não alivia a dor característica do quadro.
Como sei se o coágulo caiu?
O sinal mais confiável não é visual, é a dor: ela aumenta a partir do segundo ao quarto dia em vez de diminuir, com frequência irradiando para o ouvido, e cede pouco com a medicação. Ao olhar, o alvéolo pode parecer vazio, esbranquiçado ou acinzentado, sem o coágulo escuro. Mau gosto e mau hálito persistentes acompanham o quadro. Não tente confirmar o diagnóstico por fotos nem remova tecido da cavidade para procurar o coágulo. Na dúvida, procure avaliação.
Fumar realmente causa alveolite?
O cigarro é o fator de risco mais consistente para o quadro, por vários mecanismos somados: o calor, os componentes químicos, a redução da oxigenação dos tecidos e o movimento de sucção da tragada, que é o mesmo do canudo. Não fumar no período orientado é a medida isolada com maior impacto sobre a recuperação de uma extração de siso.
Quem teve alveolite uma vez vai ter de novo?
Não necessariamente, mas o histórico aumenta a chance em novas extrações e é uma informação que muda o planejamento. Avise antes da cirurgia se já passou por isso: existem condutas preventivas que podem ser adotadas no momento do procedimento e nas orientações pós-operatórias, e o acompanhamento nos primeiros dias passa a ser mais próximo.
As informações desta página têm caráter educativo e não substituem consulta presencial, diagnóstico individualizado ou prescrição. Dor que aumenta depois de uma extração deve ser avaliada pelo profissional que realizou o procedimento.
Conteúdo revisado por Dr. Marcelo Barboza Borille, CRO-RS 14520, responsável técnico da Sorridere (CRO-RS EPAO 2231). Última revisão: setembro de 2026.
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