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O que a evidência mostra sobre sobrevivência, lascamento e estética de cada material
Nenhum material de coroa é superior em todas as situações. As revisões sistemáticas mostram sobrevivência em cinco anos semelhante entre metalocerâmica, dissilicato de lítio e zircônia, com diferenças no tipo de problema que cada um apresenta: a metalocerâmica pode deixar linha escura junto à gengiva, o dissilicato tem estética melhor e menor resistência em região posterior, e a zircônia é a mais resistente e a que mais gera queixa estética. A escolha depende da região do dente, da carga da mordida e da exigência estética.
(51) 3346-3277 · Rua 24 de Outubro, 1440, Auxiliadora
O paciente que recebe duas propostas com materiais diferentes costuma tentar ordená-las por qualidade, como se houvesse um material melhor e um pior. Não é assim que a literatura descreve o assunto.
O que as revisões mostram é que a sobrevivência em cinco anos é parecida entre a maioria dos materiais e que eles falham de formas diferentes. Um lasca mais, outro descimenta mais, outro incomoda mais pela cor. Escolher bem é escolher o tipo de problema que menos importa no seu caso.
Esta página compara os três materiais mais usados, com os números das revisões, e mostra o que efetivamente decide a escolha: onde o dente está na boca, quanta carga ele recebe e quanto a estética pesa naquela posição.
Os três materiais, e o que cada um é
Metalocerâmica. Uma infraestrutura metálica recoberta por cerâmica. É o material com mais tempo de uso e mais dados clínicos acumulados. O metal dá resistência; a cerâmica dá aparência.
Cerâmica reforçada por dissilicato de lítio. Cerâmica de vidro reforçada, sem metal. É a que melhor reproduz a translucidez do dente natural, e por isso domina a região anterior. É o mesmo grupo de material usado em lentes de contato dental e facetas de porcelana.
Zircônia. Cerâmica de óxido de zircônio, a mais resistente das três à fratura. Existe em duas formas, e a distinção é o ponto central desta página: recoberta, com uma camada de cerâmica estética por cima da infraestrutura, e monolítica, feita em bloco único, sem cobertura.
O que as revisões mostram sobre sobrevivência
A revisão sistemática de referência sobre coroas unitárias sobre dente reuniu 67 estudos, com 4.663 coroas metalocerâmicas e 9.434 coroas cerâmicas. As estimativas de sobrevivência em cinco anos:
| Material | Sobrevivência em 5 anos |
|---|---|
| Vidro reforçado por leucita ou dissilicato de lítio | 96,6% |
| Alumina densamente sinterizada | 96,0% |
| Metalocerâmica | 94,7% |
| Alumina infiltrada por vidro | 94,6% |
| Zircônia densamente sinterizada | 92,1% |
Três leituras importam mais que os números isolados.
A primeira: as diferenças são pequenas, e todas as opções ficam acima de 92% em cinco anos. Nenhuma escolha razoável entre elas é um erro grave.
A segunda: cerâmicas feldspáticas e à base de sílica tiveram sobrevivência significativamente menor, e devem ficar restritas à região anterior.
A terceira, e a que mais surpreende: a zircônia apareceu com a menor taxa do grupo, e por um motivo específico. As coroas de zircônia se perderam mais por fratura da cerâmica de cobertura e tiveram mais perda de retenção que as metalocerâmicas. Em região posterior, tanto a zircônia quanto as cerâmicas feldspáticas tiveram desempenho pior.
Por que esse dado não condena a zircônia
Aqui está o ponto que quase nenhuma página em português explica, e que muda a conclusão.
Aquela revisão é de 2015 e analisou, majoritariamente, zircônia recoberta: uma infraestrutura de zircônia com cerâmica estética aplicada por cima. O que falhava não era a zircônia, era a camada de cobertura, que lascava.
A zircônia monolítica, feita em bloco único e sem cobertura, resolve exatamente esse ponto. Uma metanálise posterior, sobre coroas cerâmicas sobre implante, quantificou a diferença: taxa anual de lascamento de 0,39% nas peças monolíticas contra 1,65% nas recobertas, com diferença estatisticamente significativa. Uma revisão de 2022 sobre coroas produzidas em fluxo digital registra lascamento em 1,4% das coroas de zircônia contra 5% das de dissilicato de lítio.
Os dois conjuntos de dados não se contradizem. Eles descrevem materiais diferentes com o mesmo nome. Zircônia recoberta e zircônia monolítica não são a mesma coisa, e uma proposta que diz apenas “zircônia” não informou o suficiente.
O que a zircônia monolítica troca por essa resistência é translucidez. A mesma revisão de 2022 registra que a queixa estética foi a complicação mais frequente nas coroas de zircônia.
A linha escura da metalocerâmica
É a queixa mais comum associada ao material, e ela é real, embora frequentemente mal atribuída.
A infraestrutura metálica termina na margem da coroa, junto à gengiva. Enquanto a gengiva cobre essa margem, nada aparece. Se a gengiva retrai com o tempo, a margem fica exposta e aparece como uma linha escura junto ao dente.
Duas observações importam:
A retração gengival não é causada pelo metal. Ela tem outras causas, e a principal é a saúde periodontal, tratada em periodontia. O metal apenas torna visível uma retração que aconteceria de qualquer forma.
Em dentes posteriores isso quase nunca é um problema estético, e a metalocerâmica segue sendo uma escolha sólida, com o maior volume de dados clínicos acumulados de todos os materiais.
O que efetivamente decide a escolha
Não é o material em abstrato. São quatro perguntas.
1. Onde está o dente. Em anterior, translucidez pesa muito, e dissilicato de lítio costuma ser a primeira escolha. Em posterior, carga pesa mais que translucidez, e zircônia monolítica ou metalocerâmica costumam se sair melhor. As cerâmicas mais frágeis ficam restritas à região anterior.
2. Quanta carga o dente recebe. Bruxismo e mordida com contatos desfavoráveis mudam a decisão em direção aos materiais mais resistentes e monolíticos, e mudam também o desenho da peça e a frequência de manutenção. Isso se avalia junto com o que está descrito em bruxismo, sono e proteção.
3. Quanto espaço existe. Cada material tem uma espessura mínima abaixo da qual não deve ser usado. Se não há espaço, ou se desgasta mais dente ou se muda o material. Essa é uma das razões pelas quais o preparo e a escolha do material são decididos juntos, não em sequência.
4. Qual é a cor do que está por baixo. Um dente escurecido, com pino metálico ou com tratamento de canal antigo, precisa de material que mascare. Cerâmica muito translúcida sobre substrato escuro não esconde, deixa transparecer.
Para coroas sobre implante, entra ainda a discussão de conexão e perfil de emergência, tratada em coroa sobre implante.
O que a evidência diz sobre complicações que não são fratura
Vale saber que existem, para não interpretar como falha o que é ocorrência conhecida.
Em coroas cerâmicas sobre implante, uma revisão com 41 estudos estimou, em cinco anos: lascamento em 9,0%, fratura de infraestrutura em 1,9%, afrouxamento de parafuso em 3,6% (5,2% em dez anos) e descimentação em 1,1%. A sobrevivência das coroas foi de 93% em cinco anos e 94,4% em dez.
O afrouxamento de parafuso é o que mais assusta o paciente e o que menos deveria: é conhecido, previsto e resolvido em consulta, desde que identificado cedo. É uma das razões pelas quais a manutenção periódica existe.
Em coroas sobre dente natural, a principal causa de perda não é fratura, é cárie secundária na margem. Isso não depende do material: depende de higiene e de revisão periódica, com limpeza profissional adequada.
Agende sua avaliação em Porto Alegre
A escolha do material é feita junto com a decisão de preparo, depois do exame clínico, da leitura da mordida e da avaliação da cor do substrato. É uma decisão técnica que a clínica explica, e não uma opção de catálogo.
O atendimento é na Sorridere, clínica odontológica em Porto Alegre, na Rua 24 de Outubro, 1440, bairro Auxiliadora, de segunda a sexta, das 9h às 19h.
Telefone e WhatsApp: (51) 3346-3277
Perguntas frequentes
Coroa de zircônia é melhor que a de porcelana?
Não em todas as situações. A zircônia é mais resistente à fratura e por isso vai bem em região posterior e em quem tem carga alta de mordida. Em contrapartida, é a que mais gera queixa estética, por ser menos translúcida. Em dentes anteriores, cerâmicas reforçadas por dissilicato de lítio costumam reproduzir melhor a aparência natural. A região do dente decide mais do que o nome do material.
Por que uma revisão diz que a zircônia lasca mais e outra diz que lasca menos?
Porque as duas falam de materiais diferentes com o mesmo nome. A revisão que registra mais lascamento analisou zircônia recoberta, com cerâmica aplicada sobre a infraestrutura, e o que lascava era a cobertura. A zircônia monolítica, feita em bloco único, apresenta taxa de lascamento bem menor. Se a proposta diz apenas “zircônia”, vale perguntar qual das duas.
A metalocerâmica está ultrapassada?
Não. É o material com maior volume de dados clínicos acumulados, com sobrevivência estimada de 94,7% em cinco anos, dentro da mesma faixa dos materiais cerâmicos. A limitação dela é estética e específica: se a gengiva retrair, a margem metálica pode aparecer como linha escura junto ao dente. Em região posterior isso raramente importa.
A linha escura na gengiva aparece sempre?
Não. Ela só aparece se a gengiva retrair e expor a margem da coroa. A retração tem outras causas, principalmente ligadas à saúde periodontal, e não é provocada pelo metal. Quem tem periodonto estável e mantém as revisões pode usar metalocerâmica por muitos anos sem que isso ocorra.
Coroa de zircônia desgasta o dente da frente que morde nela?
É uma preocupação que circula e que depende muito do acabamento. Zircônia bem polida apresenta comportamento aceitável contra o dente antagonista; zircônia com superfície ajustada e não repolida é abrasiva. Por isso qualquer ajuste oclusal feito na consulta precisa ser seguido de repolimento, e isso não é detalhe de acabamento, é proteção do dente oposto.
Qual material dura mais?
A pergunta não tem resposta única, porque as revisões mostram sobrevivência em cinco anos parecida entre a maioria dos materiais, todos acima de 92%. O que se associa de forma mais consistente a durabilidade não é o material: é a saúde da gengiva antes da reabilitação, o controle de bruxismo, a higiene diária e a manutenção periódica. A principal causa de perda de coroas sobre dente natural é cárie na margem, que independe do material escolhido.
Posso clarear os dentes depois de instalar a coroa?
O clareamento não altera a cor da cerâmica. Se você pretende clarear, a ordem correta é clarear antes e definir a cor da peça sobre os dentes já clareados. Fazer o contrário produz diferença de tonalidade entre a coroa e os dentes vizinhos, e a única correção possível depois é refazer a peça. O tema está em clareamento dental.
Referências
- Sailer I et al. All-ceramic or metal-ceramic tooth-supported fixed dental prostheses? A systematic review of the survival and complication rates. Part I: Single crowns. Dental Materials, 2015. PubMed
- Pjetursson BE et al. A systematic review and meta-analysis evaluating the survival, the failure, and the complication rates of veneered and monolithic all-ceramic implant-supported single crowns. Clinical Oral Implants Research, 2021. PubMed
- Benli M et al. Clinical performance of lithium disilicate and zirconia CAD/CAM crowns using digital impressions: a systematic review. Primary Dental Journal, 2022. PubMed
- Rabel K et al. The clinical performance of all-ceramic implant-supported single crowns: a systematic review and meta-analysis. Clinical Oral Implants Research, 2018. PubMed
As informações desta página têm caráter educativo e não substituem consulta presencial, diagnóstico individualizado ou planejamento clínico específico. Resultados variam conforme cada caso.
Conteúdo revisado por Dra. Marina Amarante Borille, CRO-RS 24.336, especialista em Prótese Dentária pela Faculdade de Odontologia de Bauru da USP, responsável pela área de prótese da Sorridere (CRO-RS EPAO 2231). Última revisão: setembro de 2026.