O preparo é o ajuste mínimo feito na superfície do dente para acomodar a lente sem deixá-lo volumoso. Em casos favoráveis ele fica restrito ao esmalte e é bastante conservador; em outros, exige um pouco mais para corrigir forma ou cor. O quanto será preparado é definido antes, no ensaio do sorriso, e a decisão é apresentada a você antes de qualquer desgaste.
Por que existe preparo
Uma lente de porcelana tem espessura própria. Se ela for simplesmente colada por cima do dente como ele está, o dente fica mais grosso, mais para a frente e maior do que deveria — e o resultado aparece artificial, incomoda o lábio e atrapalha a higiene na região da gengiva.
O preparo cria o espaço para que a peça caiba dentro do contorno natural do dente. É por isso que ele existe: não para “gastar dente”, mas para que o dente com a lente tenha o tamanho de um dente.
Em casos muito favoráveis — dentes pequenos, levemente para dentro, sem manchas escuras — o espaço já existe e o preparo pode ser mínimo ou dispensável. Em casos com manchas profundas, dentes girados ou restaurações antigas, é preciso preparar mais para que a cerâmica consiga mascarar e corrigir.
A frase honesta é essa: não existe “lente sem desgaste” como regra. Existe caso favorável.
Quanto é desgastado no seu caso, e quando você fica sabendo
Você fica sabendo antes, e não durante.
A sequência é esta:
1. Documentação. Fotografias, modelos dos seus dentes e análise da mordida.
2. Enceramento diagnóstico. A forma final é construída em modelo, fora da sua boca. É aqui que se descobre quanto espaço falta em cada dente.
3. Ensaio do sorriso (mock-up). Essa forma é transferida para a sua boca, sem desgaste nenhum. Você olha no espelho, fala, sorri, leva a proposta consigo. Ajustes de comprimento e contorno são feitos nesta etapa.
4. Decisão. Com a forma aprovada, sabe-se exatamente onde e quanto preparar. Nada é feito no improviso.
5. Preparo, guiado pela forma aprovada. O desgaste segue o que o mock-up definiu, e não o contrário.
Se em alguma etapa o plano indicar mais desgaste do que você aceita, a hora de decidir é essa — antes, com o dente intacto.
Dói? Fica sensível?
O preparo é feito com anestesia local quando necessário, e a maior parte dos pacientes descreve a sessão como tranquila.
Sensibilidade a frio nos dias seguintes pode acontecer, principalmente quando o preparo passou do esmalte em alguma região. Costuma ser passageira e é reduzida pelos provisórios, que ficam protegendo os dentes até a colagem das peças definitivas.
Sensibilidade persistente ou dor espontânea não são normais e devem ser comunicadas. É por isso que existe acompanhamento entre as consultas.
E entre o preparo e a colagem?
Você não fica sem dentes nem com os dentes desgastados à mostra.
Após o preparo, são instalados provisórios confeccionados a partir da forma aprovada no ensaio. Eles reproduzem o desenho do resultado final, protegem os dentes e permitem que você siga a rotina normalmente, incluindo trabalhar, falar em público e ser fotografado.
Esse período é também um teste: se algo na forma incomodar durante o uso dos provisórios, dá para ajustar antes de a cerâmica ser confeccionada.
O período costuma durar de duas a três semanas, conforme o laboratório e a complexidade do caso.
O preparo é reversível?
Esta é a pergunta que merece a resposta mais direta da página.
O que foi preparado não volta. Ainda que o desgaste tenha sido mínimo e restrito ao esmalte, houve modificação da superfície original. A partir daí, o dente passa a depender do conjunto dente mais restauração.
Na prática, isso significa que:
- se uma lente quebrar ou descolar, o caminho é recimentar ou substituir a peça, não remover e ficar sem;
- ao longo dos anos, a substituição é por novas lentes ou por outra solução restauradora;
- desistir do tratamento depois do preparo exige alguma restauração, ainda que provisória.
Não dizemos isso para assustar. Dizemos porque é exatamente por esse motivo que o mock-up existe: para que a decisão seja tomada com a forma na boca e o dente ainda intacto.
Os critérios que usamos para recomendar adiar ou não fazer estão descritos em quando não intervir.
Quando o preparo não deve ser feito ainda
Há situações em que preparar o dente naquele momento seria um erro, mesmo com o paciente decidido:
- gengiva inflamada ou doença periodontal ativa — a margem da lente ficaria numa posição que muda depois do tratamento da gengiva. Trata-se a gengiva antes, com saúde gengival;
- bruxismo não controlado — o preparo até pode ser feito, mas sem controle e placa de proteção o risco de trinca aumenta de forma relevante. Ver apertamento dental;
- dentes desalinhados de forma significativa — corrigir com desgaste o que o aparelho ortodôntico corrigiria sem desgaste é trocar um tratamento reversível por um definitivo;
- contorno gengival assimétrico — a plástica gengival define onde ficará a margem de cada dente e vem antes;
- perda estrutural grande — o caso pede faceta cerâmica ou coroa cerâmica, e o preparo é outro.
O que você pode pedir ao seu dentista antes de autorizar o preparo
Vale para qualquer clínica, inclusive esta:
- Ver o resultado proposto na própria boca, com mock-up, antes de qualquer desgaste.
- Saber quantos dentes serão preparados e por quê.
- Saber se o preparo previsto fica no esmalte ou se em alguma região vai além.
- Saber o que acontece se você desistir depois do preparo.
- Saber quem executa cada etapa e qual o registro no CRO.
Se alguma dessas respostas não vier com clareza, a decisão pode esperar.
Como fazemos na Sorridere
O preparo aqui é sempre guiado pela forma previamente aprovada no ensaio do sorriso, com o objetivo declarado de preservar o máximo de esmalte compatível com o resultado combinado. O método foi sistematizado pelo Dr. Marcelo Barboza Borille como Protocolo Borille e é ensinado a outros cirurgiões-dentistas.
Colegas dentistas que buscam o detalhamento técnico da execução — sequência, instrumentos e critérios de profundidade — encontram em preparo para lentes de porcelana.
Depois do preparo vem a cimentação das lentes. A visão do tratamento completo está em lentes dentais, dentro do cluster de odontologia estética.
Antes do preparo para as lentes
Agende sua avaliação em Porto Alegre
Na avaliação analisamos seus dentes, sua gengiva e sua mordida, e apresentamos o que o seu caso exige — incluindo quanto de preparo seria necessário e se lente é mesmo a melhor solução. O atendimento é na Sorridere, clínica odontológica em Porto Alegre, na Rua 24 de Outubro, 1440, bairro Auxiliadora, de segunda a sexta, das 9h às 19h.
Perguntas frequentes sobre o preparo
É verdade que existe lente sem desgastar o dente?
Existe em casos selecionados, com anatomia favorável, dentes pequenos ou levemente para dentro e sem necessidade de mascarar cor. Não é a regra, e prometer isso para qualquer caso ignora anatomia e mordida. O que se pode afirmar é que o planejamento busca o menor preparo compatível com o resultado combinado, e que essa previsão é feita antes de começar.
Quantos dentes precisam ser preparados?
Depende do que aparece quando você sorri e do que precisa ser corrigido. Preparar apenas dois dentes da frente costuma criar uma diferença visível em relação aos vizinhos. O número é definido na análise do sorriso e discutido com você antes.
O dente preparado fica frágil?
Quando o preparo se mantém em esmalte e a lente é bem cimentada, o conjunto dente mais cerâmica é resistente. O que compromete o dente é o desgaste excessivo, que expõe dentina e reduz a qualidade da adesão, e a sobrecarga da mordida sem controle.
Posso fazer o preparo em uma sessão e as lentes muito tempo depois?
Não é recomendável. Os provisórios são feitos para semanas, não para meses. Prolongar demais aumenta o risco de descolamento, infiltração e alteração da gengiva ao redor.
Preciso fazer clareamento antes do preparo?
Na maioria dos casos, sim. O clareamento altera a cor dos dentes naturais e não altera a da cerâmica. Se ele vier depois, os dentes vizinhos e a raiz visível podem ficar com tonalidade diferente das lentes. Por isso o clareamento dental define a referência de cor antes.
Fumar ou tomar café interfere no preparo?
Não no preparo em si, mas no resultado ao longo do tempo: pigmentam a região de junção entre a lente e o dente e os provisórios em resina. Isso entra na conversa sobre manutenção antes de começar.
Se eu não gostar do mock-up, perdi alguma coisa?
Não. O mock-up é feito sem desgaste. Se a forma não agradar, ela é ajustada ou o tratamento não segue, e seus dentes continuam como estavam. É exatamente para isso que ele existe.
As informações desta página têm caráter educativo e não substituem consulta presencial, diagnóstico individualizado ou planejamento clínico específico. Resultados variam conforme cada caso.
Conteúdo revisado por Dr. Marcelo Barboza Borille, CRO-RS 14520, responsável técnico da Sorridere (CRO-RS EPAO 2231). Última revisão: agosto de 2026.